Calvet encerra debates do 10º Congresso ABIPTI

Calvet encerra debates do 10º Congresso ABIPTI

Presidente da ABDI debateu insumos estratégicos para a indústria ao lado de representantes da CNI e Embrapii

O Presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Calvet, participou nesta terça-feira (29/08), em Brasília, do segundo e último dia do Congresso ABIPTI. Organizado a cada dois anos, o encontro da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação realizou sua 10ª edição sob o tema ‘Tecnologia Nacional para Insumos Estratégicos’, com foco em setores como Indústria, Saúde, Agricultura, Comunicações, Defesa e Energia.              

Calvet integrou a última mesa de debates do Congresso, cujo tema ‘Insumos Estratégicos para a Indústria’ reuniu, além do presidente da ABDI, a diretora de Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Gianna Sagazio, e o diretor de Planejamento e Relações Institucionais da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), José Menezes. A discussão trouxe convergências sobre a importância de o Brasil compensar o tempo perdido e avançar em estratégias de Estado que reduzam a dependência nacional de insumos estratégicos.

Ao dimensionar os espaços a serem preenchidos, o presidente da ABDI lembrou setores do país dependentes de importação, como o agro, o farmacêutico e as indústrias têxtil e eletroeletrônica – no ano passado, 86% dos fertilizantes foram importados, assim como 95% dos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs), 50% dos pigmentos e 75% dos componentes eletrônicos. “Esses números sobre nossas dependências têm causas e consequências. Historicamente temos um pequeno estímulo e fomento a pesquisa, desenvolvimento e inovação no país”, apontou. “Ao longo dos anos, 20, 30 , 40 anos, nós não fizemos esse apoio de maneira consistente. Nós fizemos isso de maneira caótica e desorganizada”.        

Com referências aos sucessos da Embraer e do etanol e à não continuidade de iniciativas como a Gurgel, Calvet destacou, porém, os riscos inerentes ao processo inovador e a falta de compreensão sobre essa realidade. “Em todo caso, falhar é parte do processo de inovação”.  

Estabilidade

Para o presidente da ABDI, embora haja espaço para marcos nacionais no setor, o Brasil tem avançado nos últimos anos por meio de uma miríade interessante de instituições de fomento às tecnologias e à inovação. “Eu acho que nós evoluímos muito nos últimos anos”, disse, referindo-se ao apoio contínuo de instituições que estimulam novas tecnologias, como ABDI, CNI e Embrapii, representadas no painel. “O ecossistema de inovação, de apoio e de fomento, ele não parou, a despeito de não haver uma grande estratégia nacional. Ninguém a ficou esperando para se movimentar”, completou.

A menção do presidente da ABDI não perdeu de vista a importância de uma regulação estável em apoio a essa evolução. “De quatro em quatro anos, alguém tem a ideia de mudar uma regulação que há um ano acabou de ser retida, porque mudou o governo. Quando se trata de inovação eu acredito em um processo de estabilidade”, disse, destacando a necessidade de instituições de fomento à inovação serem blindadas nesse transcurso. “Isso é uma questão de país que vai muito além do Igor, da Gianna e do Menezes”, concluiu, lembrando que o foco dessa estratégia também deve incluir pessoas por meio da formação para inovação.