Os Desafios da Reindustrialização para uma Economia Sustentável foi o tema do seminário promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), nessas quarta e quinta-feira, 10 e 11/5, em Brasília. O encontro reuniu representantes da ABDI, autoridades e especialistas em reflexões sobre o novo ciclo de planejamento da política de desenvolvimento industrial e tecnológico e de inserção econômica internacional, orientado pelo Governo Federal.
As discussões sobre o processo de reindustrialização do país deram atenção especial aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS). “Por determinação do governo eleito, ministérios e demais setores devem observar a diretriz geral de uma política de industrialização com tecnologia, inovação, geração de empregos e modelos de negócios sustentáveis”, disse na abertura do seminário a diretora de Economia Sustentável e Industrialização da ABDI, Perpétua Almeida.
A referência ao ODS 9 – que trata, entre outras metas, da promoção de industrialização inclusiva e sustentável – guiou os debates sobre a também denominada neoindustrialização. Foram discutidos temas como entendimento das indústrias com o setor energético, fomento ao conteúdo local, agregação de valor, produção nacional de placas fotovoltaicas, pesquisas sobre hidrogênio verde e exploração de terras raras destinadas a baterias de carros elétricos.
Vantagens comparativas
O diretor do Departamento de Desenvolvimento da Indústria de Alta Complexidade Tecnológica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Luis Gesteira, lembrou, como exemplo a não ser repetido, da aposta de gestões passadas em vantagens comparativas naturais como solução para o crescimento. “A indústria importa”, afirmou. “A solução não virá de apostar em vantagens comparativas naturais. Esse é quase um consenso”, concluiu, sem, no entanto, esquecer as altas taxas de lucros dos dois setores e os desafios para que indústria e serviços de alta tecnologia as igualem.
O chefe do Departamento de Inovação e Estratégia Industrial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Maurício Neves, também destacou a importância da indústria em meio ao avanço tecnológico. “Eu não conheço na história do mundo um país populoso que tenha vencido a armadilha da renda média sem uma participação mais relevante no comércio internacional tecnológico”, alertou, apontando o 54º lugar do Brasil no ranking do Índice Global de Inovação. Há, no entanto, potencial para avanços. “Não é um lugar compatível com o tamanho da nossa economia e com o potencial e pujança de nosso sistema de inovação. Esse potencial tem que se materializar de alguma forma”.

Diálogo
Iniciado no segundo dia também com as presenças do presidente da ABDI, Igor Calvet, e do diretor de Desenvolvimento Produtivo e Tecnológico da Agência, Carlos Geraldo, o encontro retomou as discussões reafirmando a disposição da ABDI de diálogo com a Administração Federal. "Nosso intuito é envolver não só as pessoas da casa como trazer gente de fora para pensar como a Agência deverá introduzir no seu dia a dia, nos seus processos e nos seus produtos algo novo que dialogue com a mudança do governo", disse Calvet.
"A ABDI está antenada com essas novas mudanças, com essas diretrizes determinadas pelo governo e com certeza irá se empenhar para que possamos entregar, de uma forma eficaz, os projetos que venham surgir agora, com a nova diretoria", assegurou Carlos Geraldo, referindo-se à diretoria de Economia Sustentável e Industrialização da Agência.
A sintonia entre a ABDI e a gestão atual foi igualmente lembrada pelo secretário da também recém-criada pasta de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC, Rodrigo Rollemberg. "A criação da secretaria demonstra o compromisso desse governo com a nova visão de neoindustrialização do país através de uma economia verde", afirmou. "Essa parceria com a ABDI será fundamental para que a gente possa efetivar as políticas públicas que sejam construídas conjuntamente”, assegurou, antes de enumerar prioridades da pasta, como regulação das eólicas offshore, biotecnologia e economia circular.
Entre as discussões do último dia, coube ao subsecretário para Amazônia no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Eron Bezerra, destacar o que considera um dos principais atributos da sustentabilidade: a redução da dependência. "Um país que não domina todas as cadeias produtivas não é sustentável, assim como não é sustentável um povo analfabeto e uma região cuja população não a defende", alertou, em defesa da floresta.
Também participaram do seminário da ABDI o ex-diretor da Secretaria de Desenvolvimento da Produção do MDIC, Alexandre Comin; a pesquisadora do IPEA, Luciana Acioly; a superintendente de Desenvolvimento Social e Gestão Pública do BNDES, Ana Cristina Costa; a economista da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Camila Gramkow; o professor do Departamento de Economia da PUC-GO, Sérgio de Castro; a diretora da Indústria de Média e Alta Complexidade do MDIC, Margarete Gandini; e o ex-diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e ex-ministro de Minas e Energia, Nelson Hubner.