Workshop em nanotecnologia aproxima universidade e indústria em Goiânia

Workshop em nanotecnologia aproxima universidade e indústria em Goiânia

Em sua quarta edição, evento reúne pesquisadores e empresários e gera oportunidades de negócios e inovação

A inspiração está na natureza. Os olhos dos insetos não são uma superfície lisa, eles são compostos por milhares de micro elevações para impedir a reflexão da luz. As placas de energia solar usam o mesmo conceito. As escamas do tubarão possuem um desenho que impede a aderência de bactérias. Um cateter foi desenvolvido com o mesmo formato para evitar infecções. As pesquisas em nanotecnologia têm gerado inovações em diversos setores e para que elas cheguem às indústrias, foi realizado um workshop em Goiânia, nesta quinta-feira (27).

O “Nanotecnologia em produtos industriais” promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) chega a sua quarta rodada, após passar por Fortaleza, Salvador e Porto Alegre. “A ABDI trabalha a nanotecnologia desde 2006 e o que queremos é divulgar este acúmulo de conhecimento. São aplicações que geram muita competitividade para as indústrias, aumentando a produtividade e reduzindo custos”, afirmou Cleila Pimenta, líder do projeto de nanotecnologia da Agência.

O presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) mostrou a necessidade de as empresas inovarem para poder sobreviver diante da forte competição internacional. “A indústria tem procurado o desenvolvimento tecnológico para ter qualidade e preço. Em Goiás, fazemos o esforço de atrair as empresas pelas boas condições de logística, matérias primas disponíveis e tributos, mas precisamos inovar. Para isso, precisamos do setor público e da universidade, que tem essa expertise em pesquisa. A gente fica animado ao ver hoje todas estas instituições aqui”, disse Wilson de Oliveira.

Esta necessidade de aproximação entre os setores foi a tônica dos debates. O presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas de Goiás (Sindifargo), Marçal Soares, provocou a plateia composta também por estudantes ao afirmar que a Academia deve pensar no lucro. “Indústria 4.0, robótica, nanotecnologia… tanta coisa que se não nos desenvolvermos vamos ser cada vez mais importadores de produtos prontos e não vamos ter produção própria, gerar riquezas para o país e emprego”, disse Soares.

A oportunidade gerada pelo workshop foi elogiada pela professora Eliana Martins, da faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Goiás (UFG). “Eu acho que é um tipo de iniciativa que sempre faz falta na nossa rotina. Os empresários, às vezes estão na busca de algo mais imediato, nós na rotina de pesquisa e formação dos estudantes, que é pesada, não temos a oportunidade de estreitar relações. Então é um momento que espero que sirva de pontapé inicial para ter esta aproximação entre Academia e empresas, para aplicarmos estas tecnologias que na escala de laboratório dominamos bem e que a nossa sociedade carece”.

 

Polo Industrial

A primeira parada da comitiva da ABDI, Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) foi em Anápolis, na quarta-feira (26), para visitar duas plantas farmacêuticas do distrito industrial da cidade, localizada a 50 quilômetros de Goiânia.

Uma das visitas foi na Brainfarma, que conta com mais de 3,7 mil funcionários e produz mais de 60 milhões de unidades comerciais (blisters, caixas ou frascos) por mês. Isto inclui, 900 milhões de comprimidos e 250 milhões de cápsulas mensais.

A outra visita foi na Geolab, que tem uma área com 108 funcionários apenas para Pesquisa e Desenvolvimento. A empresa tem uma automação muito difundida, mas ainda não aplica a nanotecnologia de forma ampla. O diretor da indústria, Georges Hajjar Jr, elogiou a iniciativa da ABDI e disse que a conversa mudou a perspectiva dele sobre o assunto. “É importante abrir novas portas. O conhecimento nunca é demais e este acesso ajuda o nosso trabalho”.

O coordenador de Desenvolvimento e Inovação do MCTIC, Leandro Berti, defende a regionalização do desenvolvimento da nanotecnologia de acordo com as necessidades de cada estado. “Goiás tem muita competência em agricultura, nas indústrias farmacêutica e de cosméticos. Temos que fazer com que as pesquisas trabalhem com estas competências para fortalecermos esta relação”, comentou.

Nesta sexta-feira (28), a agenda continua com uma visita técnica no Instituto de Ciências Farmacêuticas (ICF), em Goiânia, e a uma empresa de cosméticos em Aparecida, cidade vizinha à capital goiana.