ABDI promove atividade sobre drones, mercado que deve chegar a R$ 300 milhões

ABDI promove atividade sobre drones, mercado que deve chegar a R$ 300 milhões

Participantes da Hacking Drones terão uma maratona de atividades na sede da Agência

O mercado de drones no Brasil está voando alto, com expectativa de faturamento de R$ 300 milhões para 2018. São 700 empresas do setor cadastradas no país, segundo levantamento da Mundo Geo. E para entrar de vez neste ramo, 60 pessoas interessadas em inovar e aprender se inscreveram na Hacking Drones, promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e que teve início nesta sexta-feira (31) e vai até o domingo (02).

O engajamento de jovens empreendedores para encontrar soluções para as demandas das indústrias é o principal objetivo do evento. “A gente acredita na evolução da tecnologia e temos procurado mecanismos para engajar essa nova geração ultra tecnológica, no desenvolvimento das questões do país”, explicou Guto Ferreira, presidente da ABDI. “Por que a educação no Brasil não me dá a oportunidade para que eu consiga entregar algo e gerar um resultado? A gente entende que resultado é a palavra de ordem para essa geração Millenium que vai tomar conta do país, e os drones se incluem nesta discussão”, acrescentou.

Uma demonstração de mapeamento aéreo feito por drones foi realizada no pátio em frente à entrada da ABDI, em Brasília. O responsável pela pilotagem foi Gabriel do Nascimento, da startup Nong, especializada em agricultura de alta precisão, e que serve de inspiração para outros jovens.

Gabriel Campos, estudante de análise de sistemas, e Victor Rocha, da engenharia civil, ambos da Universidade Católica de Brasília (UCB) se inscreveram na Hacking Drones tendo o colega como exemplo de sucesso. Afinal, em oito meses de existência, a Nong conseguiu diversos contratos e participará de um grande projeto na China.

“Interessei no evento por causa do sucesso da Nong. Vejo muitas oportunidades em Brasília e meu objetivo é desenvolver ideias e ter mais conhecimento sobre os drones”, afirmou Gabriel Campos. “O que a Nong fez é um exemplo para nós”, destacou Victor Rocha. “Minha expectativa é adquirir conhecimento para aplicar em projetos de drones e aprender onde é melhor investir”, completou.

Mercado

O Brasil tem um grande potencial de crescimento no mercado de serviços agregados aos drones, como mostrou o CEO da Mundo Geo, Emerson Granemann, em sua apresentação na abertura das atividades da Hacking Drones. Segundo estudo da Front & Sullivan, até 2020 a taxa média de crescimento global será de 33%, com a América do Sul e a África na dianteira.

“Nestes locais há mais aplicações possíveis e demandas reprimidas. Mas devemos observar que alguns setores já estão ficando saturados, como por exemplo, as filmagens por drones. Então, acho que hoje tivemos a oportunidade de trazer para os jovens um retrato do setor para que eles pensem no desenvolvimento de projetos em cima do que é necessidade do mercado”, detalhou Emerson Granemann.

Com 12 mil empregos diretos gerados no Brasil, segundo projeções da Mundo Geo para 2018, o mercado de drones chamou a atenção do estudante de geografia da Universidade de Brasília (UnB), Matheus Sarmento (foto abaixo), que pesquisa no Laboratório de Geoeconografia da instituição. “Usamos drones para mapeamento, quase 100% do nosso trabalho é com esse tipo de tecnologia”, disse.

Outras aplicações importantes com drones são em áreas de defesa. O Tenente Coronel Renato, da Polícia Militar da Bahia, detalhou o programa da corporação para uso de aeronaves remotamente pilotadas. Ele contou que após um episódio em que um drone quase se chocou contra um helicóptero, a polícia resolveu reunir os proprietários dos equipamentos para explicar condutas para o uso da tecnologia. “No primeiro encontro, em 2015, havia seis pessoas, no último eram 200”, revelou. “A perspectiva de drones na segurança é promissora, o uso e o retorno são inquestionáveis, mas a legislação tem que avançar”, finalizou.

Hacking Drones

Os participantes do evento irão trabalhar desafios e aplicações em agricultura, indústria, logística e segurança utilizando drones, bem como desenvolver competências de gestão, desenvolvimento pessoal e entrega de metodologias ágeis (MVPs) para potenciais empreendedores.

“Quando vocês estiverem desenvolvendo essas novas possibilidades, lembrem sempre da indústria, parte da juventude que trabalha com startup é voltada a discutir o varejo, o comércio e os serviços e muita coisa boa acontece na indústria. É ela que dá escala para o país e que pode internacionalizar o produto e a solução”, recomendou Guto Ferreira.