Indústria 4.0 em pauta na Fibra

Indústria 4.0 em pauta na Fibra

Presidente da ABDI falou aos empresários do DF sobre desafios e perspectivas da 4ª Revolução Industrial

Em palestra para mais de 50 empresários, na sede da Federação das Indústrias do DF (Fibra), na tarde da terça-feira (21), o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Guto Ferreira, falou dos avanços para o Brasil a partir da adoção da indústria 4.0. “Alguns empregos vão sumir. Outros vão se transformar. Mas o que importa é que serão gerados mais de 300 milhões de novos postos e o desafio é nos prepararmos para esse novo mercado”, alertou o presidente.

Ferreira ressaltou, no entanto, que a revolução tecnológica depende integralmente da revolução educacional. “O Brasil precisa de uma revolução na base da educação. Temos de estimular crianças e jovens a empreenderem, a serem curiosos, a gostarem de disciplinas que envolvem administração, robótica, aeroespacial, sistemas. Não temos condições de competir num mercado global só preparando nossos alunos para terem um bom emprego. Mas, sim, para gerarem novos empregos”, defendeu.

Segundo o presidente da Fibra, Jamal Bittar, o desafio quando se fala de Indústria 4.0 é considerar as regionalidades e as diferenças de maturidade das indústrias em cada estado. “Não temos condições de falar de 4.0 para uma pequena indústria que ainda está em processo 1.0. Mas é urgente estarmos atentos às novas transformações e preparados para competir, com foco nas novas competências que a tecnologias e a digitalização nos exigem”, alertou Jamal.

Ao ouvir dos empresários sobre as dificuldades de capacitação e empregabilidade, o presidente da ABDI foi categórico. “Com a indústria 4.0, a palavra emprego vai perder importância. A geração millennial (jovens nascidos no final dos anos 80 e meados de 90) não quer carteira assinada, não quer o emprego formal. O que esses jovens almejam é a possibilidade de produzir em home-office para vários países, de se conectar com novos desafios, novas culturas, novas empresas, sem vínculo empregatício, mas com o comprometimento de inovar e gerar valor para a empresa”, antecipou.

O conceito de Indústria 4.0, de acordo com o Ferreira, é muito maior do que a simples digitalização dos processos. “É uma mudança de cultura, uma quebra de paradigma, e que pode e deve ser iniciada até mesmo na pequena empresa, seja numa alteração de layout, no retrofit de um maquinário ou na mudança na forma de gerir a equipe”, exemplificou.

Entre os benefícios da adoção da indústria 4.0, o presidente da ABDI destacou o ganho de eficiência e produtividade, redução no consumo de energia, maior controle dos processos industriais, redução do retrabalho e, por consequência, maior competitividade. Ao falar especificamente sobre a indústria brasiliense, Guto Ferreira destacou como setores em potencial a indústria têxtil e de confecções, equipamentos médicos e de precisão, defesa e agronegócio. “Junto com o Senai-DF, o Parque Tecnológico Biotic podem ser grandes vetores dessa nova indústria e contribuir para a competitividade das empresas do Distrito Federal”, finalizou.

A palestra sobre Indústria 4.0 foi realizada a convite do presidente da Fibra, Jamal Bittar, e do diretor de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico, Graciomário Queiroz, durante a 21ª Reunião do Comitê Gestor da Indústria 4.0.