Cooperação com setor de saneamento é tema de encontro entre Agência e Aesbe

Cooperação com setor de saneamento é tema de encontro entre Agência e Aesbe

Ricardo Cappelli ressaltou a importância da área para o desenvolvimento sustentável do Brasil

As possibilidades de cooperação entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o setor de saneamento no país foram o tema do encontro que reuniu, na manhã desta segunda-feira, 18, o presidente da Agência, Ricardo Cappelli, e o diretor-presidente da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe), Neuri Freitas.

Ciente da importância do saneamento para o desenvolvimento sustentável do país, Cappelli expressou ao executivo a disponibilidade de parcerias da ABDI com o setor a partir da elaboração de uma agenda de prioridades das empresas estaduais. “Isso é uma agenda central no Brasil”, disse o presidente da Agência, em referência à contradição entre a baixa porcentagem de esgoto tratado no país – hoje, inferior a 40% – e as discussões em curso sobre transição energética.

“Estamos falando de carro elétrico, mas jogando esgoto in natura nos rios e nas praias”, apontou. “Como é que você discute transição energética, como é que você discute sustentabilidade, se o básico você não está fazendo, que é tratar resíduos minimamente?”, indagou.

O encontro na sede da ABDI, em Brasília, foi uma oportunidade de a Aesbe expressar a preocupação do setor com metas previstas no Marco Legal de Saneamento. A medida prevê a universalização dos serviços até 2033 com garantia de que 99% da população do país tenha acesso à água potável e 90%, à coleta e ao tratamento de esgoto.

Segundo Neuri Freitas, a falta de produtos necessários para a atividade de saneamento pode comprometer o alcance das metas. “Como universalizar, se não temos insumo para isso?”, questionou, alertando sobre a produção limitada de tubos e de elementos químicos para o tratamento de água pela indústria nacional.

Também presidente da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagese), Freitas esteve acompanhado pelo secretário-executivo da Aesbe, Sergio Antonio Gonçalvez, e pelo presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Luís Antônio Reis.

Inovação

O desempenho atual das operações de saneamento, marcado pelo grande consumo de energia e alto índice de perda, também foi discutido na reunião. Com foco no aumento de eficiência, o setor expressou a expectativa por financiamentos para adoção de telemetria, isto é, a automação, o monitoramento e o controle de estações de tratamento, reservatórios e elevatórias de água e esgoto via rádio.

Cappelli destacou a sintonia da Agência com o BNDES, o Finep e os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para reafirmar a disposição da ABDI de atuar em favor do setor – entre outras frentes, por meio das encomendas tecnológicas em inovação promovidas pelo Hubtec.

“Uma das formas de a gente promover a inovação no Brasil é utilizando o instrumento poderoso que a gente tem de compras púbicas para investir nisso. Então, essa é outra área em que a gente pode ajudar”, afirmou.