“O Brasil tem a 6ª maior indústria química do mundo, mas já fomos a 4ª maior”. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), André Passos, que esteve nesta segunda-feira, 4, com o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, para discutir uma parceria pelo crescimento da indústria química.
Durante a conversa, André Passos expôs o momento de queda de desempenho e competitividade que o setor está enfrentando. A produção registrou redução de 10,1% em 2023 quando comparada ao ano anterior. As vendas internas recuaram 9,4% e as exportações caíram 10,9% no mesmo intervalo de comparação.
Por outro lado, as importações de produtos químicos cresceram 7,8% em meio a uma concorrência intensa de produtos nacionais ante os de origem asiática, principalmente oriundos da China.
Para que a indústria química brasileira volte a crescer, e conectada à Nova Indústria Brasil (NIB), a Abiquim propôs parceria com a ABDI para articular estratégias e metas junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
“Precisamos estruturar um programa melhor para a indústria química, ancorado na questão da sustentabilidade, que alcance uma base maior de produtos químicos”, afirmou André. “Temos que aumentar a quantidade de produtos compreendidos no Regime Especial da Indústria Química (Reiq)”, acrescentou.
Outra proposta foi a criação de um Observatório da Indústria Química. A ideia é fazer um levantamento de todo o setor e concentrar informações atualizadas em uma plataforma.
Atento à necessidade de uma ação do governo para fortalecer e proteger a indústria química brasileira, Cappelli sinalizou positivamente para a parceria e autorizou o início dos trabalhos e a formalização do acordo.
“Foi uma conversa muito produtiva na qual a Abiquim levantou questões de mercado, regulatórias, tarifas de importação. Também foram levantadas questões relativas à movimentação geopolítica que existe no mundo e que tem incidência direta sobre a indústria química no Brasil, que é uma indústria estruturante porque perpassa por praticamente todas as cadeias produtivas”, comentou Cappelli. “Acordamos que vamos montar um observatório específico da indústria química para fazer esse debate”, completou.